Os insetos são vetores de várias doenças, para a maioria das quais não existem vacinas eficazes. Assim, a melhor profilaxia é evitar e/ou minimizar o contacto.
O que fazer para evitar?
- Conhecer os locais e horas de exposição máxima – os mosquitos picam a qualquer altura do dia, mas os vetores de algumas doenças têm o seu pico de ação de dia (dengue) e outros ao entardecer / noite (malária). Os locais com muita vegetação são mais propícios às picadas de carraças. Assim, devem-se evitar atividades ao ar livre nas horas de exposição máxima, ou adotar medidas preventivas adequadas.
- Vestuário adequado – minimizando a área de pele exposta. Usar roupa larga, comprida e chapéu.
- Procurar carraças – fazer uma inspeção ao corpo e à roupa durante atividades ao ar livre e ao final do dia. A remoção imediata das carraças pode prevenir algumas infeções. Um banho até 2h após atividades em zonas endémicas também reduz o risco.
- Rede mosquiteira – confere proteção e reduz o desconforto provocado pelas picadas de insetos. As redes devem ter um comprimento adequado de forma a tocar no chão. Se forem muito curtas devem ser presas debaixo do colchão.
- Inseticidas e repelentes espaciais – incluem inseticidas em spray, difusores de inseticida (elétricos ou a pilhas), serpentinas à base de permertina e velas. Permitem manter o local (quarto; casa) sem insetos, mas não tem eficácia comprovada em prevenir infeções. Estes produtos devem assim ser utilizados em associação com repelentes cutâneos ou de roupa.
Recomendações sobre o uso de repelente:
Nas situações em que se prevê o contacto com mosquitos e outros insetos, como em zonas tropicais ou nas noites de verão, deve ser aplicado regularmente um repelente sobre a pele. Existem sob forma de loção, gel, stick ou vaporizador e podem ter um princípio ativo sintético ou natural.
São eficazes nas picadas de mosquitos, moscas, pulgas e carraças, mas não têm eficácia contra vespas, abelhas, formigas ou aranhas.
Tipos de repelentes:
- DEET – 1ª linha, tem eficácia contra mosquitos, moscas, pulgas e carraças. São seguros em crianças com > 2 meses.
- Icaridina – Eficácia semelhante ao DEET embora com menor duração. O seu uso só está recomendado em crianças com > 2 anos.
- PMD – A sua eficácia é inconsistente e não está recomendado em crianças com menos de 3 anos.
Modo de aplicação e precauções no uso de repelentes:
- Aplicar apenas em áreas de pele exposta (e não por baixo da roupa)
- Aplicar na roupa, se necessário
- Se necessitar de protetor solar em simultâneo aplique-o primeiro
- Lavar as mãos após aplicação de repelente spray, gel ou creme
- Remover repelente quando regressar a casa / hotel
- Se ocorrer alguma reação lavar a pele com água e consultar o médico
- Não inalar, ingerir ou permitir o contacto com olhos
- Não aplicar nas mãos das crianças para evitar contacto com boca/olhos
- Não aplicar em feridas ou pele irritada
O que fazer em casa se acontecer?
- Evitar que a criança coce a área afetada
- Manter a pele bem limpa e hidratada
- Cortar as unhas da criança e mantenha-as limpas para evitar o risco de infeção
- Após aconselhamento com médico assistente, usar um anti-histamínico para aliviar a comichão
Dra. Rita Barreira,
Pediatra – Fundação Nª. Srª. do Bom Sucesso
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